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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

“No céu aparece a virgem Maria...” Assim, os católicos de Agrestina receberam a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Por Paulo Júnior / Historiador 

Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à direita Padre Aparício confessor da vidente Lúcia

Com o intuito de trazer informação sobre a história de Agrestina, e, estando próximo do centenário da última aparição de Nossa Senhora em Fátima, trago para os leitores a transcrição da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Agrestina, ocorrida 37 anos após as aparições. O responsável da visita foi o Padre Aparício, Padre Jesuíta, um dos confessores da vidente Lúcia. O ilustre visitante chegou em Agrestina em junho de 1954, o anfitrião da visita na época foi o Padre Pedro Solano.

Padre Aparício, se radicou no Brasil e espalhou pelas comunidades por onde passou as mensagens de Fátima, em Agrestina não foi diferente. Sem dúvidas aquele dia foi especial para os fieis que participaram daquele momento de fé. Afinal, o vigário local, havia preparado os fiéis para a visita durante todo o mês de maio, considerado para os cristãos católicos, o mês dedicado à Maria. O registro da passagem de Padre Aparício aqui em Agrestina transcritoabaixo foi feito pelo Professor Pedro de Alcântara.  

No dia 13 de maio, chegara a imagem que ficaria fazendo peregrinação entre as famílias. A celestial visitante demorar-se-ia por todo um mês no lar que a recebesse.
Nova e mais intensa alegria aguardava a todos, viria a Agrestina, no dia 13 de junho, Padre Aparício, confessor, por 12 anos, da vidente Lúcia! Viria trazendo a imagem da Virgem, que deveria ser venerada em nossa Matriz.
Padre Pedro Solano levou a boa nova a todos os recantos da paróquia. Aos poucos, o povo foi preparando-se para receber Nossa Senhora de Fátima.
Surgiu, por fim, o dia esperado, em meio às alegrias da festa litúrgica do Padroeiro Santo Antônio.

Ainda segundo relatos do Professor Pedro, o povo aguardava ansiosamente a chegada de Nossa Senhora. Já era noite quando se deu o encontro feliz. Continuando ainda seu relato sobre a chegada da imagem na entrada da cidade, o Professor Pedro registrou que:

A entrada da cidade, em frente do rancho de “seo” (sic) Lélé, conhecido pouso dos pobrezinhos, Padre Aparício procedeu à benção da imagem.  Depois, entre cânticos e sob intenso júbilo, aclamada por todos, a Virgem de Fátima, ao clarão das velas e das luzes do carro triunfal, dirigiu-se para a Igreja Matriz.

O que deve ser aqui destacado, é que a antiga entrada da cidade era na Rua Cônego Júlio Cabral. O rancho do sr.Lelé, tratava-se da casa de Alfredo Rodrigues Figueirêdo, pai do ex-vereador, nosso amigo, Heleno da Farmácia. Sr. Lelé, possuía uma hospedagem a qual abrigava aqueles que por aqui pretendiam pernoitar.  Aquela noite era festiva para os católicos, na igreja matriz o juiz de direito, fez a recepção dos que ali estavam presentes. Por fim, falou o Padre Aparício. Segundo Professor Pedro:

Padre Aparício, em singelas palavras, expôs a mensagem de Fátima, narrou as maravilhas das aparições e terminou com uma exaltação do amor de Nossa Senhora para com o mundo. Por fim, em nome de nossa família, expressamos ao povo de nossa terra, a alegria de que nos achávamos possuídos por lhe havermos podido ofertar a imagem de Nossa Senhora de Fátima.

Ainda segundo as informações trazidas no Jornal de Agrestina, a imagem de Nossa Senhora foi posta ao lado do altar-mor, seguindo-se a benção do Santíssimo Sacramento. Como término das solenidades foi conduzidaa imagem peregrina (a que chegou a 13 de maio) para a primeira casa em que deveria permanecer por todo o mês, recebendo as homenagens dos que lá fossem recitar o terço de cada dia. 

Passado um século das aparições, a devoção a Nossa Senhora de Fátima, ainda se faz presente entre os fieis católicos de Agrestina, o movimento Nossa Senhora de Fátima, celebra a cada dia 13 do mês uma procissão como forma de devoção e de propagação da mensagem transmitida aos pastores nos idos de 1917. Não pode se esquecido neste texto, que na mesma rua onde o povo foiem 1954, recepcionar Padre Aparício, existe um monumento construído pelo Professor Pedro de Alcântara. Neste monumento à Fátima, o devoto Ivanildo Raimundo Rufino, o popular Vigário, celebra anualmente os terços marianos, no mês de maio, no local conhecido como o Alto da Santa, o monumento se encontra erguido justamente, na antiga entrada da cidade, a Rua Cônego Júlio Cabral.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Bebedouro na rota dos revoltosos do Quebra-quilos (1874-1875)

Por Paulo Junior - Especial para o Blog Adriano Monteiro

Propaganda Pernambucana, alusiva a Revolta do Quebra-Quilos
Fotos: Blog do Leandro Vilar

A Revolta do Quebra-Quilos, esquecida por muitos historiadores e não apresentada nos livros de História adotados por nossas escolas,eclodiu nos últimos anos do período Imperial. Segundo Vilar:


Tal revolta embora tenha ocorrido em menos de um ano, fora uma das mais importantes revoltas sociais da região Nordeste na década de 1870 e nos fins do império, pois iniciada na província da Paraíba, a revolta se espalhou rapidamente para outras três províncias, levando o imperador D. Pedro II a mobilizar tropas da Guarda Nacional para conter as ações impetuosas cometidas pelos quebra-quilos, assim como passaram a serem chamados tais revoltosos.

Novo sistema de pesos, alvo das manifestações


A eclosão do motim decorreu da mudança no sistema de pesos e métricos, adotado através de uma Lei imperial, foi fator contribuinte para tal revolta o aumento na cobrança de impostos. Ainda segundo Vilar, a revolta em Pernambuco, teve inicio na então Vila de Itambé e, mesmo tendo uma ação enérgica do governo provincial, se espalhou por várias localidades do nosso estado, chegando inclusive à região Agreste. Maior, na obra Quebra-Quilos: lutas sociais no outono do Império, descreveu à invasão dos revoltosos na feira de Caruaru. De acordo com Maior, apud Vilar:

Em Caruaru a atuação dos quebra-quilos explode no dia 12 de dezembro de 1874. Aproximadamente 400 homens, usando punhais e bacamartes, chefiados por Vicente e Manuel Tenório, moradores da Comarca vizinha do Brejo, e João Barradas, residente em Caruaru, invadem a cidade, às 10 horas, quando se realizava a feira, aliciando revoltosos e lançando insultos contra as autoridades. (MAIOR, 1978, p. 125). 

Através de pesquisa realizada no Jornal A Província, na edição de n° 471,que circulou em 19/12/1874,  o órgão que na época era pertencente ao partido liberal, trouxe matéria comunicando que a invasão também havia ocorrido durante a realização da feira da povoação de Bebedouro e também na feira de Bezerros.

A invasão na povoação de Bebedouro
deu-se no dia 13.12.1874


Na semana seguinte, o jornal A província, voltou a noticiar a preocupação com novas investidas na cidade de Caruaru. Além da feira de Caruaru, e a de Bebedouro, o jornal noticiou que Bonito também foi alvo dos protestos populares. Boatos relatavam que as próximas manifestações teriam como alvo as povoações de Brejo e Altinho, além do retorno a Caruaru. O jornal noticiou que está a cidade de Caruaru em alarme, as autoridades policiais armaram gente para os repelir os revoltosos.

Para pôr fim à sedição, o governo da província solicitou reforço policial ao imperador que encaminhou tropas do Rio de Janeiro. Opositores do governo da província enfatizam no jornal, que é preciso que o povo saiba que o governo manda derramar o sangue do povo que pratica a única violência de quebrar kilos e metros. O mesmo jornal relata que por onde passa os revoltosos, investem contras as Câmaras Municipais, não escapando sequer o retrato do imperador. Em Buíque, documentos da coletoria foram rasgados e os pesos e medidas foram danificados.

Esta revolução popular não foi a única ocorrida no período Imperial, na qual o povo de Bebedouro participou, aqui poderia ser relatado a Revolta dos Cabanos que teve seu epicentro em Panelas, bem como a revolta popular decorrente dos atos praticados pelo então Prefeito do Altinho o Padre Zacarias, onde a feira local também foi o alvo das manifestações populares. O “garimpar” dos historiadores podem revelar outras curiosidades até então esquecidas nos arquivos do nosso estado.

Em comemoração aos 89 anos de emancipação de Agrestina, escolhi esta revolta popular, a qual não é detalhada em muitos dos livros de História das nossas escolas. Para fazer uma justa homenagem aqueles/as que desde tempos mais remotos, lutaram como atos que consideravam injustos e abusivos.

Fonte de pesquisa:
Vilar, Leandro. A Revolta do Quebra-Quilos (1874-1875). Disponível em:
Jornal A Província. Edição n° 471 e 477 (dez. 1874).


terça-feira, 7 de março de 2017

Mulheres Destaques de Agrestina - De Vila Barra do Jardim (Mentirosos) à serventuárias do Tribunal de Justiça


"Mulher virtuosa, quem a achará?"

Dando continuidade a série mulheres destaques de Agrestina, no penúltimo texto desta série, o texto de hoje renderá homenagens a duas mulheres que prestaram relevantes serviços a população de Agrestina, enquanto serventuárias da justiça. Escolhi estas duas mulheres, tendo em vista que as mesmas foram além de sua atuação enquanto servidoras públicas, passando a militar também na política de nossa cidade, e assim servir ao povo de Agrestina. Estou falando de Albertina Adelina de Vasconcelos, falecida recentemente, e Maria Jadeilda dos Santos, a última graças a bondade divina ainda gozamos de sua companhia.

Albertina Adelina
Ambas as homenageadas, tem como origem a Vila Barra do Jardim, também conhecida como Mentirosos. Albertina Adelina nasceu em 1920, era filha de Dimas Adelino da Silva e Marcionila Maria dos Santos. Maria Jadeilda dos Santos, nasceu em 1939, filha de. Ao entrarem na política a Vila de Barra do Jardim foi a área da atuação incansável destas mulheres.

Albertina casou-se jovem, aos 18 anos com João Figueiredo de Vasconcelos, que era filho de José Figueiredo de Vasconcelos e Rita Figueiredo de Vasconcelos. Aqui os leitores residentes no Loteamento Ipiranga – Agrestina – PE, de imediato se recordaram dos nomes de diversas artérias públicas daquela localidade.

Albertina iniciou no serviço público exercendo a profissão de professora estadual na escola rural de Barra do Jardim, isso no ano de 1951. Foi através do ato do governador Etelvino Lins, publicado em 19/06/1954, que Albertina Adelina de Vasconcelos, foi nomeada para exercer o cargo de oficial do registro civil de Barra do Jardim, conforme pode ser verificado no documento abaixo, o qual foi extraído do arquivo do Diário Oficial de Pernambuco.

Portaria de nomeação de Albertina para o exercício de tabeliã em Barra do Jardim


            A nomeação de Albertina para o exercício de tabeliã, e posteriormente a sua entrada na política, deve-se a forte ligação com Elias Libânio Silva Ribeiro, político influente em Agrestina, seu parente e padrinho político. A pesquisadora Agrestinense Fagna Soares, embora não tendo adentrado na pesquisa sobre a participação feminina nas eleições dos anos 1950, traz uma reflexão bastante pertinente sobre a presença da mulherna política de Agrestina, SOARES (2014), afirma que:

Compreendemos que essas vereadoras são herdeiras políticas das famílias oligárquicas cidadina ou estão apadrinhadas por elas o que influenciou nos resultados das suas vitórias políticas. Essa prática é muito comum no Nordeste, nesse jogo político apenas pouquíssimas famílias disputam o poder político local. Apenas elas são aderidas pela população que de forma consciente ou inconsciente mantêm uma paixão incondicional por estas famílias, ficando assim, impossíveis outras pessoas que não pertençam a esses grupos vencerem eleições.

Além de dedicar-se as atividades no cartório, Albertina Adelina, foi pioneira em Barra do Jardim, ao criar uma entidade sem fins lucrativos destinada ao ensino de aulas de corte e costura para as mulheres residentes em Barra do Jardim, isso em julho de 1958, a oferta de cursos profissionalizante naquela época, demonstra a preocupação de Albertina com o desenvolvimento econômico e social das moradoras daquela Vila. A vida social na Vila de Barra do Jardim era animadíssima, Albertina coordenava com apoio da comunidade local, um grupo de pastoril o qual sempre no período natalino vinha se apresentar na Escola Professor José Constantino. O grupo de Barra do Jardim, competia de forma amistosa, o título do melhor pastoril. As pastorinhas de Agrestina eram organizadas pela professora Rita, conforme me relatou certa vez a Professora Rosimere Alves. Também em Agrestina Albertina manteve durante muitos anos um curso de datilografia.

O dinamismo social, cultural atrelado o fator do apadrinhamento de Elias Libânio levou Albertina a ocupar uma das vagas no Poder Legislativo Municipal, por quase 03 décadas durante 6 mandatos. (1959-1963); (1963-1969); (1969-1973); (1973-1977); (1977-1983); (1983-1988). Durante o período em que foi Vereadora, ocupou diversos cargos na mesa diretora da Câmara Municipal, inclusive por duas vezes assumiu a presidência da Casa Agrício Brasil, única mulher na história a ocupar tal posto. Também entrou no topo da lista dos vereadores com o maior número de mandatos.]

O exercício do mandato de vereadora durante o regime militar refletiu na conduta de Albertina, tendo uma postura rígida para com a bancada de oposição. Certa vez, o ex-vereador Marcos Túlio, me afirmou que quando os vereadores de oposição através do uso da tribuna criticaram as falhas na gestão de Benito Ribeiro, Albertina, na qualidade de presidente da Câmara, determinava que não fosse servido café nem água aos opositores, os quais eram privados do cafezinho ou de água por estarem exercendo o papel de fiscalizador do poder executivo.

Dona Jadeilda


A atuação de Jadeilda enquanto serventuária da justiça, junto ao cartório do registro civil começou nos anos de 1960, exercendo o cargo de substituta do cartório do registro civil de Barra do Jardim, a titular na época era Laura Alves Ribeiro.  A partir dos anos 1990, Dona Jadeilda, também sentiu a necessidade de servir ao povo através da política, foi quando resolveu se candidatar ao cargo de Vereadora, sendo eleita no ano de 2000, época na qual a Câmara Municipal teve a maior participação feminina da sua história, tendo em vista a eleição de 03 mulheres. Em 2004, Jadeilda se candidatou em um grupo de terceira via liderado por Marciano Filho, porém não teve êxito. Saindo da política, voltou a ocupar o cargo de tabeliã no cartório que fica localizado em sua residência, sempre expressando uma palavra de conforto, um carisma inigualável, fazendo jus a esta homenagem.

Por Paulo Junior / Professor e Historiador   Fotos: Jadeilda (Arquivo pessoal) e Adelina (Jornal Personalidades - 1987)

segunda-feira, 6 de março de 2017

Mulheres Destaques de Agrestina - A matriarca da família Grande e Leite


“Assim como não é possível contar as estrelas do céu, nem calcular a areia das praias do mar, desse modo multiplicarei a descendência de meu servo Davi e dos levitas, que me servem.” (Jeremias 33:22)

Fotos: Acervo da família Leite
Dando continuidade a série mulheres destaques de Agrestina, hoje rendo homenagem a Dionízia Amélia de Jesus, conhecida entre os seus parentes, por Mãe Duta, já o povo que teve a oportunidade de conhecer, a chamavam de Dona Duduca.

A nossa homenageada nasceu em 29.11.1883, casou com Manoel Francisco Leite, e deste matrimônio nasceram 12 filhos, a saber: Maria Amélia de Jesus (1901); Pedro Manoel Leite (Pedro Grande) (1902); José Francisco Leite e Luiz Francisco Leite, gêmeos (1905); Joana Amélia de Jesus (1908); Sebastião Grande da Silva (1910);Epifânio Manoel Leite(1912);Gabriel Francisco Leite (1913); Lucas Manoel Leite (1919); João Manoel Leite(1919); Teófila Amélia de Jesus(1920) e Quitéria Amélia de Jesus(1922). Quase todos os filhos, após contraírem matrimônio e constituírem família, radicaram-se no entorno do Vale do Una e do Rio Mentirosos onde até hoje os descendentes de Dona Duduca possuem terrenos destinados a atividades agropastoris.A maiores dos descendentes possuem até hoje o sobrenome Leite, descendem também do tronco da família de Dionízia Amélia de Jesus, a família Monteiro, Marcolino Santos, Lopes Leite, Avelino, Celestino, Belarmino, entre outros.


Dionízia Amélia de Jesus, aparece ao centro da foto, sendo ladeada pelos filhos.

Dona Duduca, ou Mãe Duta ficou viúva cedo, assumindo assim a chefia da família. O estado de viuvez rompeu com o modelo de família patriarcal, dominante no século XX, passando Dionizia a chefiar os membros da família Leite e Grande. Este fator atípico à época, me incentivou a apresentar para os leitores, esta chefe de tão numerosa família. Mulher de personalidade forte, a obediência as suas ordens era regra a ser seguida por todos os filhos, independente do estado civil ou idade. Contou-me meu pai, que o seu Tio Pedro, casado, já sendo avô, saia de sua residência em Barra do Chata, quase que diariamente, para vir pedir a benção materna e, consequentemente ouvi-la, ou caso estivesse errado, receber reclamações. Sebastião Grande, avô materno do meu pai, era um dos filhos mais próximos de Mãe Duta, também era alvo de reclamações da mãe, uma vez que sendo político, deixava as pessoas adentrarem com facilidade na Fazenda Laranjeiras, encravada no Vale do Mentirosos, e isto por muitas vezes levavam à destruição da horta cultivada com tanto zelo por Dona Duduca. Calmo, Sebastião apenas dizia, deixe o povo pra lá mãe.

            A proximidade de Sebastião Grande com a sua mãe, pode ser observada em alguns dos registros fotográficos da família, conforme os leitores podem verificar abaixo:



Na foto Paulo Monteiro a criança em destaque na frente, a senhora no centro da imagem é a matriarca da família, acima dela se encontra o filho Sebastião Grande. Acervo Pessoal da família

            Segundo relatos colhidos com meu pai, as datas festivas do calendário, era motivo de reunião dos parentes, ganhando destaque especial os festejos do final do ano e a passagem da Semana Santa. A alegria em reunir todos os filhos para celebrarem a vida não durou até os últimos dias da vida de Mãe Duta. O uso da violência provocou a morte de Quitéria Amélia de Jesus, que residia no Recife, pois foi brutalmente executada por seu esposo, que após o homicídio praticado tomou destino ignorado, não sabendo a família o motivo para pratica deste ato. Certamente, o coração de mãe, mesmo vendo a casa repleta de filhos, netos, bisnetos, nunca mais se completou devido a ausência da sua filha Quitéria.

            A educação dada por esta matriarca aos seus filhos, sem dúvida foi imprescindível para que seus descendentes se tornassem pessoas integras e viessem a gozar de enorme prestígio social em Agrestina, inclusive levando dois deles a ingressarem na política e assim servirem ao povo. O primeiro foi Gabriel Grande em 1947, logo depois Sebastião Grande, (Vereador, Presidente da Câmara e Prefeito), o prestigio que Sebastião possuía entre o povo Agrestinense, era de tamanha proporção que 90% do eleitorado da época o conduziram ao cargo de prefeito, sendo esta a maior vitória política da história de Agrestina.

            A homenageada deste artigo, faleceu aos 85 anos de idade, em sua residência localizada às margens do Rio Mentirosos, próximo a Fazenda Laranjeiras, onde viveu por muitas décadas e nela praticou, assim como centenas de agrestinenses, as atividades agropastoris as quais garantiram o sustento dos filhos. A esta agricultora, mulher simples, chefe matriarcal de descendência tão numerosa rendi esta homenagem hoje. Externo que a produção deste artigo não foi fácil haja vista que “o historiador da família confronta-se sempre com o problema[...] de estabelecer, da melhor forma possível, as ligações entre os fatos e a teoria, as anedotas e a análise.” (STONE: 1990), espero que mesmo diante das minhas limitações, tenha sido possível agradar aos leitores.

Amanhã 07.03 publicaremos o penúltimo texto deste série denominada Mulheres destaques de Agrestina, no próximo texto estarei  prestando homenagem a algumas tabeliãs do nosso município e que através do exercício de suas funções se destacaram no nosso meio social.


Por Paulo Junior / Professor e Historiador

domingo, 5 de março de 2017

Mulheres Destaques de Agrestina - As irmãs Pinheiro de Barros, pioneiras no comércio e na política

O tronco da família Pinheiro de Barros em Agrestina,vem do casal de professores Pedro Antonio Pinheiro de Barros e Emília Pinheiro de Barros, conforme cita Barbalho na obra Altinho de antes da fazenda até a freguesia de Nossa Senhora do Ó.

A matriarca da família, inclusive é homenageada e dá nome a uma fundação sediada em nosso município. Do casal, Pedro Pinheiro e Emília Pinheiro, conseguimos encontrar o registro de três filhos: Haydéia Pinheiro de Barros, uma das idealizadoras do jornal Lyrio (1919), assim como os pais, exerceu o cargo de professora no município de Bebedouro (Agrestina); Elisa Pinheiro de Assunção e João Pinheiro de Barros, que casou-se com Madame Mariette, alagoana nascida em Branquinha.

            Para compreendermos um pouco deste pioneirismo, procurei fazer alusão ao tronco da família Pinheiro Barros em Agrestina, para nos próximos parágrafos me dedicar em breves linhas ao pioneirismo das mulheres desta família em nosso município.

Imaginemos que numa sociedade marcada pelo patriarcalismo, como é o caso do nosso país. A presença feminina no decorrer do século XX, aos poucos foi ganhando notoriedade, principalmente nos grandes centros urbanos, mas ainda era predominante o modelo tradicional no qual cabiam as mulheres o exercício das atividades do lar e da responsabilidade pela educação dos filhos. Basta recordarmos que em pleno século XXI, o modelo de bela, recatada e do lar, mesmo sendo alvo de críticas ferrenhas das feministas, ainda assim, foi apresentado como modelo a ser seguido.


Em Bebedouro através dos jornais, pude identificar um pioneirismo de mulheres não apenas quando do surgimento do jornal “Lyrio”, mas também no ramo do comércio. Um fato curioso que me chamou atenção foi que entre todos os anúncios publicados no jornal local, apenas um comércio no ramo alimentício era dirigido por uma mulher. Os demais, provavelmente contavam com a presença feminina no atendimento aos clientes, mas, nenhum fazia alusão ao casal de comerciante, mostrando assim a forte presença do “dono” do comércio. O pioneirismo de Emília Pinheiro de Barros, é notável inclusive na forma de fazer a publicidade do seu comércio, conforme pode ser observado nos anúncios divulgados no jornal local. Vejamos:

Propaganda no Jornal A voz de Bebedouro (1934-1935)
Fotos: Paulo Junior / Arquivo Pessoal 


Emília Pinheiro naquela época já visualizada que a propaganda era uma forma de divulgar os gêneros ofertados em seu comércio, e consequentemente atender melhor os seus clientes, e conforme anunciado, servindo com presteza e sinceridade.

Além de Emília Pinheiro, merece destaque o pioneirismo de sua nora Mariette Motta Pinheiro, uma das mais notáveis costureiras de Bebedouro, nos idos de 1930, conforme foi noticiado em correspondência do Jornal do Recife, que abriu uma agência da singer com um curso de bordados que está sendo ministrado pela senhora Marietta Motta Pinheiro. Informou-se ainda no jornal que o novo curso está sendo frequentado por distintas senhoritas da sociedade local. Quando da época da circulação do jornal A voz de Bebedouro, a Madame Mariette, utilizou a parte dedicada aos anúncio para  divulgação do atelier de modas, conforme pode ser observado no anúncio abaixo:

 Além de anunciar seu atelier, Madame Mariette, aproveitou para divulgar o curso de bordados por ela oferecido. Sem dúvidas tais anúncios destacam-se pela ousadia do tempo e o reconhecimento por parte das comerciantes do poder de abrangência da propaganda feito num jornal que além de circular em Bebedouro, possuía correspondentes no Altinho em São Joaquim do Monte e Bonito, provavelmente também circulava em Caruaru.

            O pioneirismo de Mariette Motta Pinheiro, não ficou restrito as atividades de costura, chegou a abranger o meio político da cidade. Em 1930, as mulheres conquistaram o direito ao voto, e,marcada as primeiras eleições nas quais as mulheres conquistaram o direito ao voto, Mariette candidatou-se e foi a primeira mulher a assumir o cargo de vereadora pelo município de Bebedouro. Embora os eleitos em 1934 não tenham concluído o mandato, tendo em vista a instalação do Estado Novo de Vargas, o qual suprimiu o poder legislativo em todas as esferas da administração, Mariette Pinheiro foi pioneira e entrou na história do município por se tornar a primeira mulher a ocupar um cargo no poder legislativo municipal.

            Infelizmente não possuo fotos das mulheres da família Pinheiro de Barros, mas a apresentação dos anúncios do jornal local, utilizado como fonte de pesquisa para o artigo produzido hoje, talvez tenha sido útil para conhecermos um pouco da história do município de Agrestina e, assim conhecermos um pouco do pioneirismo de Emília, Haydéia Pinheiro e Mariette Pinheiro.

A série mulheres destaques de Agrestina do dia 06/03 fará uma homenagem a matriarca da Família Grande e Leite a senhora Dionízia Amélia de Jesus. No artigo no qual irei homenagear minha trisavó paterna, irei explorar fotos do acervo da família e discorrer sobre o uso da fotografia como registro e memória da família.  

Por Paulo Junior / Professor e Historiador 

sábado, 4 de março de 2017

Mulheres Destaques de Agrestina - Notável acontecimento no mundo “chic” desta terra, (Bebedouro) em 1919 surgiu o “Lyrio.

Ceonila Galvão, uma das idealizadoras do Jornal “Lyrio”(1919), Secretária do Jornal
de Agrestina (1956-1958).  Foto constante no arquivo do Colégio Santo Antônio

O amor às letras fizeram com que jovens senhoritas de Bebedouro tivessem a iniciativa de produzir um jornal local. O jornal surgiu em outubro e foi batizado com o nome “Lyrio”, e, segundo informações constantes no Jornal de Agrestina (1957), as primeiras edições (01 e 02) do jornalzinho de Bebedouro, foram manuscritas em papel pautado. Logo após, Lyrio passou a ser impresso no município de Bonito.

A edição n° 01, provavelmente circulou apenas em Bebedouro, não sabemos se teve um alcance regional, assim como outros jornais locais tiveram. Na manhã do dia 26/10/1919, os bebedourenses letrados, liam a primeira edição do semanário noticioso e literário Lyrio. Apesar das pesquisas realizadas, não cheguei a ter acesso a um exemplar do referido jornal, porém, a parte que transcrita abaixo trata-se de textos do “Lyrio” que anos após foi republicado na seção “Nossa Terra Nosso Passado” do Jornal de Agrestina.

Algo que merece destaque neste jornal é o protagonismo feminino, razão pela qual o artigo da série Mulheres Destaques de Agrestina, faz hoje menção ao jornal. Diferentemente de outros jornais, publicados na época, incluindo-se os demais jornais publicados em Bebedouro(Agrestina), este jornal foi idealizado e dirigido apenas por mulheres. Figuram como diretoras e idealizadoras do mesmo, as jovens: Leonila Cabral Varejão, Haydéa Pinheiro (foi professora municipal; em sua homenagem a Escola existente no Sítio Variante recebeu seu nome, esta pelo menos não ficou esquecida na história), Adalcina Queiroz e Ceonila Galvão (professora e diretora do Ginásio Industrial Santo Antônio, hoje Colégio Santo Antônio; Ceonila, na época da circulação do Jornal de Agrestina era a secretária do referido jornal).

Provavelmente, deve-se a Ceonila Galvão, à menção ao jornal Lyrio, feita anos depois no Jornal de Agrestina (1957), fonte de pesquisa que utilizei para produção deste artigo. Na primeira edição, sob o título “Surgindo”, em outubro 1919, as jovens justificavam o nascimento do jornal. Vale a pena conferir:

Os progressos que se vem acentuando nesta localidade, os grandes empreendimentos que se vem de notar no mais frágil traço da vida bebedourense deram em monta não ficássemos por mais tempo na densa nuvem de obscurantismo, a julgar pela necessidade que se fazia mister entre nós, de um jornalzinho embora com proporções mignons, porém que fosse o arauto de nossas ideias lá fora.

E assim que um grupo de senhoritas gentis, num desses momentos que se parece possuído de um grande jacto de luz, teve por bem a fundação do “Lyrio” e eis consubstanciada em doce realidade a feliz ideia de que há muito vimos acalentando. É verdade que muito tem a desejar nosso jornalzinho, porém confiamos em breve poder dota-lo do que mais se recente, atendendo não só a nossa divisa o brocardo francês: Petit a petit, L'oiseau fait sonnid. (“Pouco a pouco, o pássaro constrói seu ninho” tradução: googletranslate)

A repercussão sobre a criação do Lyrio(1919), foi matéria da segunda edição que circulou em 02/11, e Halidéia Rios, provavelmente um pseudônimo usado por Haydeia Pinheiro, destacou a impressão causada na sociedade de Bebedouro com a edição do Lyrio: “foi um notável acontecimento no mundo “chic” desta terra o surgir do “Lyrio”. Vê-se abaixo um artigo que foi publicado na 2ª edição do “Lyrio”

“Não eram poucos os que se mostravam desejosos de o ler.
Logo aos primeiros albores do dia, quando a passarada entoara o seu canto divinamente harmonioso e o velho bronze de nossa matriz convidavam os fieis para o santo sacrifício da Missa, já havia quem bebesse com delícia por intermédio dos órgãos visuais, as páginas amenas do nosso semanário. Os comentários surgiram, felizmente uníssonos em aplausos.
Francamente achamos no “Lyrio” um bom começo. As grandes iniciativas não começam grandes; tem a sua infância, a sua época embrionária. É portanto justamente o que se nota no nosso jornalzinho, que muito ainda pode subir, basta somente que não se faça esquecida a ação latente a vida, a seiva que lhes poderão emprestar as nossas gentis companheiras de cruzada, os dignos rapazes desta vila e enfim o povo de Bebedouro que deseja o levantamento moral e intelectual desta terra.”

Não sabemos o período de duração do Lyrio, no arquivo público estadual, devem se encontrar exemplares da 1ª e 2ª edição do mesmo. Talvez a dificuldade em garantir recursos para sua impressão, problemas com a gráfica responsável pela impressão que era sediada em Bonito, tenha desestimulado as jovens senhoritas. Mas, a iniciativa e pioneirismo das mesmas, demonstraram o seu amor às letras, bem despertou em muitos o desejo pelo engrandecimento de Bebedouro (Agrestina), a estas a série Mulheres destaques, registra nossas homenagens.


Amanhã 05.03 daremos continuidade a esta série especial, traremos algumas novidades e estaremos homenageando as irmãs Pinheiro de Barros, pioneiras que foram no comércio e na política em Bebedouro.

Por Paulo Junior / Professor e Historiador

sexta-feira, 3 de março de 2017

Mulheres Destaques de Agrestina - “A esquecida” Professora Arcelina Câmara Silva

“A gratidão é um peso,
e todo peso foi feito
para ser posto de lado” (Diderot)

Dando continuidade a série Mulheres Destaques, reconheceremos hoje, a contribuição dada pela Professora Arcelina Câmara Silva, que por aqui chegou há exatamente um século, para exercer a função de professora estadual, junto ao seu esposo o jovem Professor José Constantino. O texto transcrito abaixo, foi registrado no Diário de Pernambuco, e narra a chegada destes jovens e dinâmicos educadores. O referido texto foi escrito na seção “O diário nos municípios” publicado no dia 12/08/1917, na página 05.

Bebedouro escreveu em 03/08/1917 – O povo de Bebedouro, tendo à frente a sociedade musical Eutherpina Bebedourense, fez uma manifestação aos novos educadores, sendo que muitos cavalheiros os foram encontrar a 2 léguas distantes desta vila.

Logo que chegaram os professores a residência do Cel. Manoel Alves, onde se hospedaram, usou da palavra o Sr. Manoel Luiz de Carvalho que, representando a sociedade musical, se congratulou com os bebedourenses, pelo melhoramento que acabavam de conquistar com a criação de duas cadeiras estaduais ao mesmo tempo que felicitou os recém-chegados. Agradeceu o professor J. Constantino.

Sobre a criação das referidas cadeiras estaduais, foi enviado ao Dr. Manoel Borba, governador do Estado, o seguinte telegrama:

“Habitantes de Bebedouro agradecem v. excia. criações cadeiras estaduais, acto que muito honra governo benemérito e proveitosa administração. Povo bebedourense veem hoje em realidade a maior de suas aspirações pelo que apresenta v. excia. sua gratidão sincera – Os bebedourenses”.

O dinamismo do professor José Constantino e da professora Arcelina Câmara, já era visível no inicio de setembro. Junto com a sociedade local e as escolas municipais, eles programaram uma série de atividades, incluindo desfile cívico para comemorar os festejos da independência do país. 

Em Bebedouro nasceu o filho primogênito do casal José Constantino e Arcelina Câmara, isso em outubro de 1917, cerca de dois meses da chegada deles a Bebedouro. O Diário de Pernambuco, na seção Diário Social, noticiou o nascimento de Cybele ocorrido em Bebedouro no dia 06/10. A alegria do casal de professores com o nascimento da primogênita, não chegou a completar a 150 dias, em março Maria Sybele, após ter estado alguns dias doente, veio a falecer e dada a simpatia que o casal demonstrava na sociedade, grande número de pessoas compareceram ao velório da menina. Em setembro de 1918, os educadores estaduais, mais uma vez se empenharam para que a data da independência do país fosse comemorada de forma bastante festiva.

Em outubro de 1920, nasceu o segundo filho do casal, desta vez, um menino que recebeu o nome de José, fato que foi noticiado na crônica social do Jornal do Recife, edição de 19 de outubro. Ao completar um ano do nascimento de José, no dia 10/10/1921, nascia em Bebedouro outro filho do casal de professores, desta vez, outro menino que recebeu o nome de Paulo.

Em setembro de 1923, o diário social, registrou o nascimento de Lygia, filha do casal de professores Constantino e Arcelina, ocorrido em Bebedouro no dia 16/09. A filha Lygia antes de completar um ano de nascida, em virtude da remoção dos pais, foi residir em Ipojuca. A remoção foi publicada em 1°/07/1924, interessante notar que a remoção ocorreu por conveniência do ensino, e não a pedido, entendendo-se que a referida transferência de município, não ocorreu ao gosto do casal de professores. Mesmo não residindo mais em Agrestina, José Constantino não esqueceu esta terra, chegando a escrever um artigo para um jornal de circulação local. Com certeza, a passagem por Agrestina, também ficou registrada na memória da Professora Arcelina Câmara.

Aqui estiveram dando sua parcela de contribuição para a formação dos bebedourenses, os educadores José Constantino e Arcelina Câmara, durante 07 anos. O professor Constantino, recebeu uma justa e sincera homenagem ao ser patrono do único prédio escolar estadual existente no município, infelizmente, a gratidão pelos serviços educacionais prestados pela professora Arcelina Câmara não aconteceu. Por este motivo iniciei o texto com uma célebre frase do filósofo Diderot.

 Infelizmente, não existe em Agrestina nenhuma homenagem prestada a companheira do professor Constantino. Quem sabe, no ano em que se completa o centenário da chegada deste casal de professores a nossa Agrestina, a Professora Arcelina Câmara seja lembrada, assim como este artigo hoje o faz, recordando que ao lado do Professor José Constantino, a Professora Arcelina também contribuiu durante 07 anos para a formação de inúmeros bebedourenses.

Vale destacar que o casal de professores recebeu homenagem póstuma, com a denominação de duas artérias públicas localizadas no bairro do Jordão na capital do estado. Quiçá em Agrestina, o mais breve possível a Professora Arcelina Câmara seja lembrada.


A série Mulheres destaque dará continuidade amanhã 04.03, transcrevendo dois textos do Jornal local, O Lyrio (1919), idealizado por senhoritas bebedourenses, as quais aspiravam o levantamento moral e intelectual de Bebedouro, hoje Agrestina. Vale a pena conferir!

Por Paulo Junior / Professor e Historiador

quinta-feira, 2 de março de 2017

A criação da escola do sexo feminino em Bebedouro e a nomeação da primeira professora

Foto: Getty Images

         A luta por melhorias na povoação de Bebedouro, principalmente no que se refere a criação de escolas de primeiras letras, teve inicio com uma solicitação datada do ano de 1835. Por não ter sido atendido o pleito, voltou a ser destaque no ano de 1857, quando membros do conselho de instrução pública, propôs a criação de 1 escola para o sexo masculino.Após trinta anos da primeira reivindicação, a proposta foi aceita, e no ano de 1864, a comissão de instrução pública autorizou a criação da primeira escola para o sexo masculino na povoação de Bebedouro. Vale registrar que o acesso à escola já era uma realidade no Bonito, Altinho e Caruaru.

Se existiu a dificuldade para criação da escola de primeiras letras para o sexo masculino, privação maior foi a sofrida pelas meninas, já a criação de uma escola para o sexo feminino, foi pela primeira vez defendida em 1872, pelo delegado literário do Altinho, cargo hoje equivalente ao de supervisor de ensino. A proposta defendida foi alvo de apresentação de emenda na assembleia estadual em agosto de 1877, de autoria do deputado J. Mello Rego.No ano seguinte, foi apresentado o projeto de lei n° 78/1878, pedindo a criação da escola, a matéria foi apresentada pelo deputado Epamidonhas de Barros Correia, o futuro Barão de Contendas, importante chefe político do Altinho.

O projeto de lei para criação da primeira escola para o sexto feminino, foi transformado na Lei n° 1.362/1879, infelizmente o sonho de ser erigida a primeira cadeira de ensino pública para meninas não foi concretizada, pois em ato publicado em abril de 1880, o governo da província, informou que por falta de recursos, não poderia ser instalada a escola para o sexo feminino na povoação de Bebedouro.

Depois de aguardar tanto tempo sem acesso a educação, em setembro de 1880, acredito que, por pressão popular, e para atender a Lei n° 1362/79, o governo nomeou para Bebedouro a Professora D. Rufina Demetria de Souza.

Através da pesquisa, foi possível encontrar poucas informações sobre a primeira professora de Bebedouro: através do edital n° 417/1880, Rufina recebeu o título de aluno-mestre e foi nomeada para exercer o cargo de professor público, sendo nomeada para no prazo de 60 dias tomar posse e assumir o exercício de professora. Aqui em Bebedouro, a Professora Rufina, iniciou sua carreira, tendo se dedicado durante muitos anos, sem dúvida exerceu forte influência na sociedade local, haja vista que permaneceu regendo a cadeira de ensino primário do sexo feminino, por mais de uma década. Neste intervalo de tempo, mudança na legislação, fez surgir a escola de caráter misto, onde podiam se matricular tanto meninos quanto meninas.

No ano de 1892, a professora foi afastada da regência de aula, para tratar-se da sua saúde. Através das minhas pesquisas, encontrei no ano de 1896, a última anotação referente a servidora, pelo teor da matéria, provavelmente o estado a afastou das funções de professora, deixando-a em disponibilidade. Não consegui localizar sua naturalidade e tão pouco se constituiu família, quer seja em Bebedouro, ou em outro lugar. Apesar das poucas informações obtidas não poderia deixar de registrar este importante marco para a nossa história.

Para dá inicio a série de homenagens a mulheres que se destacaram na sociedade de Bebedouro, na qualidade de Professor, quis registrar para os leitores o marco da criação da primeira escola para meninas em Bebedouro, e, assim homenagear a primeira professora que por aqui passou, e sem dúvida muito contribuiu para a formação intelectual das meninas de Bebedouro, e também de inúmeros jovens, ajudando-os inclusive a despertar o gosto pelas letras e pela transmissão do conhecimento.


A esta pioneira da educação em nossa terra, rendo minhas homenagens, e a partir dela, quero homenagear as mulheres que na contemporaneidade tem se dedicado a difícil missão de educar nossos jovens. Aguardem amanhã 03.03 a próxima homenageada que por estas “bandas” chegou, junto com seu esposo, no ano de 1917.

Por Paulo Junior / Professor e Historiador