"Mulher virtuosa,
quem a achará?"
Dando
continuidade a série mulheres destaques de Agrestina, no penúltimo texto desta
série, o texto de hoje renderá homenagens a duas mulheres que prestaram
relevantes serviços a população de Agrestina, enquanto serventuárias da
justiça. Escolhi estas duas mulheres, tendo em vista que as mesmas foram além
de sua atuação enquanto servidoras públicas, passando a militar também na
política de nossa cidade, e assim servir ao povo de Agrestina. Estou falando de
Albertina Adelina de Vasconcelos, falecida recentemente, e Maria Jadeilda dos
Santos, a última graças a bondade divina ainda gozamos de sua companhia.
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| Albertina Adelina |
Ambas
as homenageadas, tem como origem a Vila Barra do Jardim, também conhecida como
Mentirosos. Albertina Adelina nasceu em 1920, era filha de Dimas Adelino da
Silva e Marcionila Maria dos Santos. Maria Jadeilda dos Santos, nasceu em 1939,
filha de. Ao entrarem na política a Vila de Barra do Jardim foi a área da
atuação incansável destas mulheres.
Albertina
casou-se jovem, aos 18 anos com João Figueiredo de Vasconcelos, que era filho
de José Figueiredo de Vasconcelos e Rita Figueiredo de Vasconcelos. Aqui os
leitores residentes no Loteamento Ipiranga – Agrestina – PE, de imediato se
recordaram dos nomes de diversas artérias públicas daquela localidade.
Albertina
iniciou no serviço público exercendo a profissão de professora estadual na
escola rural de Barra do Jardim, isso no ano de 1951. Foi através do ato do
governador Etelvino Lins, publicado em 19/06/1954, que Albertina Adelina de
Vasconcelos, foi nomeada para exercer o cargo de oficial do registro civil de
Barra do Jardim, conforme pode ser verificado no documento abaixo, o qual foi
extraído do arquivo do Diário Oficial de Pernambuco.
A nomeação de Albertina para o exercício de tabeliã, e
posteriormente a sua entrada na política, deve-se a forte ligação com Elias
Libânio Silva Ribeiro, político influente em Agrestina, seu parente e padrinho
político. A pesquisadora Agrestinense Fagna Soares, embora não tendo adentrado
na pesquisa sobre a participação feminina nas eleições dos anos 1950, traz uma
reflexão bastante pertinente sobre a presença da mulherna política de
Agrestina, SOARES (2014), afirma que:
Compreendemos que
essas vereadoras são herdeiras políticas das famílias oligárquicas cidadina ou
estão apadrinhadas por elas o que influenciou nos resultados das suas vitórias
políticas. Essa prática é muito comum no Nordeste, nesse jogo político apenas
pouquíssimas famílias disputam o poder político local. Apenas elas são aderidas
pela população que de forma consciente ou inconsciente mantêm uma paixão
incondicional por estas famílias, ficando assim, impossíveis outras pessoas que
não pertençam a esses grupos vencerem eleições.
Além
de dedicar-se as atividades no cartório, Albertina Adelina, foi pioneira em
Barra do Jardim, ao criar uma entidade sem fins lucrativos destinada ao ensino
de aulas de corte e costura para as mulheres residentes em Barra do Jardim,
isso em julho de 1958, a oferta de cursos profissionalizante naquela época, demonstra
a preocupação de Albertina com o desenvolvimento econômico e social das
moradoras daquela Vila. A vida social na Vila de Barra do Jardim era
animadíssima, Albertina coordenava com apoio da comunidade local, um grupo de
pastoril o qual sempre no período natalino vinha se apresentar na Escola
Professor José Constantino. O grupo de Barra do Jardim, competia de forma
amistosa, o título do melhor pastoril. As pastorinhas de Agrestina eram organizadas
pela professora Rita, conforme me relatou certa vez a Professora Rosimere
Alves. Também em Agrestina Albertina manteve durante muitos anos um curso de
datilografia.
O
dinamismo social, cultural atrelado o fator do apadrinhamento de Elias Libânio
levou Albertina a ocupar uma das vagas no Poder Legislativo Municipal, por
quase 03 décadas durante 6 mandatos. (1959-1963); (1963-1969); (1969-1973);
(1973-1977); (1977-1983); (1983-1988). Durante o período em que foi Vereadora,
ocupou diversos cargos na mesa diretora da Câmara Municipal, inclusive por duas
vezes assumiu a presidência da Casa Agrício Brasil, única mulher na história a
ocupar tal posto. Também entrou no topo da lista dos vereadores com o maior
número de mandatos.]
O
exercício do mandato de vereadora durante o regime militar refletiu na conduta
de Albertina, tendo uma postura rígida para com a bancada de oposição. Certa
vez, o ex-vereador Marcos Túlio, me afirmou que quando os vereadores de
oposição através do uso da tribuna criticaram as falhas na gestão de Benito
Ribeiro, Albertina, na qualidade de presidente da Câmara, determinava que não
fosse servido café nem água aos opositores, os quais eram privados do cafezinho
ou de água por estarem exercendo o papel de fiscalizador do poder executivo.
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| Dona Jadeilda |
A
atuação de Jadeilda enquanto serventuária da justiça, junto ao cartório do
registro civil começou nos anos de 1960, exercendo o cargo de substituta do
cartório do registro civil de Barra do Jardim, a titular na época era Laura
Alves Ribeiro. A partir dos anos 1990,
Dona Jadeilda, também sentiu a necessidade de servir ao povo através da
política, foi quando resolveu se candidatar ao cargo de Vereadora, sendo eleita
no ano de 2000, época na qual a Câmara Municipal teve a maior participação
feminina da sua história, tendo em vista a eleição de 03 mulheres. Em 2004,
Jadeilda se candidatou em um grupo de terceira via liderado por Marciano Filho,
porém não teve êxito. Saindo da política, voltou a ocupar o cargo de tabeliã no
cartório que fica localizado em sua residência, sempre expressando uma palavra
de conforto, um carisma inigualável, fazendo jus a esta homenagem.
Por Paulo Junior / Professor e Historiador Fotos: Jadeilda (Arquivo pessoal) e Adelina (Jornal Personalidades - 1987)
Por Paulo Junior / Professor e Historiador Fotos: Jadeilda (Arquivo pessoal) e Adelina (Jornal Personalidades - 1987)



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