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| Ceonila Galvão, uma das idealizadoras do Jornal “Lyrio”(1919), Secretária do Jornal de Agrestina (1956-1958). Foto constante no arquivo do Colégio Santo Antônio |
O
amor às letras fizeram com que jovens senhoritas de Bebedouro tivessem a
iniciativa de produzir um jornal local. O jornal surgiu em outubro e foi
batizado com o nome “Lyrio”, e, segundo informações constantes no Jornal de
Agrestina (1957), as primeiras edições (01 e 02) do jornalzinho de Bebedouro,
foram manuscritas em papel pautado. Logo após, Lyrio passou a ser impresso no
município de Bonito.
A
edição n° 01, provavelmente circulou apenas em Bebedouro, não sabemos se teve
um alcance regional, assim como outros jornais locais tiveram. Na manhã do dia
26/10/1919, os bebedourenses letrados, liam a primeira edição do semanário
noticioso e literário Lyrio. Apesar das pesquisas realizadas, não cheguei a ter
acesso a um exemplar do referido jornal, porém, a parte que transcrita abaixo
trata-se de textos do “Lyrio” que anos após foi republicado na seção “Nossa
Terra Nosso Passado” do Jornal de Agrestina.
Algo
que merece destaque neste jornal é o protagonismo feminino, razão pela qual o
artigo da série Mulheres Destaques de Agrestina, faz hoje menção ao jornal.
Diferentemente de outros jornais, publicados na época, incluindo-se os demais
jornais publicados em Bebedouro(Agrestina), este jornal foi idealizado e
dirigido apenas por mulheres. Figuram como diretoras e idealizadoras do mesmo,
as jovens: Leonila Cabral Varejão, Haydéa Pinheiro (foi professora municipal;
em sua homenagem a Escola existente no Sítio Variante recebeu seu nome, esta
pelo menos não ficou esquecida na história), Adalcina Queiroz e Ceonila Galvão
(professora e diretora do Ginásio Industrial Santo Antônio, hoje Colégio Santo
Antônio; Ceonila, na época da circulação do Jornal de Agrestina era a secretária
do referido jornal).
Provavelmente,
deve-se a Ceonila Galvão, à menção ao jornal Lyrio, feita anos depois no Jornal
de Agrestina (1957), fonte de pesquisa que utilizei para produção deste artigo.
Na primeira edição, sob o título “Surgindo”, em outubro 1919, as jovens
justificavam o nascimento do jornal. Vale a pena conferir:
Os progressos que
se vem acentuando nesta localidade, os grandes empreendimentos que se vem de
notar no mais frágil traço da vida bebedourense deram em monta não ficássemos
por mais tempo na densa nuvem de obscurantismo, a julgar pela necessidade que
se fazia mister entre nós, de um jornalzinho embora com proporções mignons,
porém que fosse o arauto de nossas ideias lá fora.
E assim que um
grupo de senhoritas gentis, num desses momentos que se parece possuído de um
grande jacto de luz, teve por bem a fundação do “Lyrio” e eis consubstanciada
em doce realidade a feliz ideia de que há muito vimos acalentando. É verdade que muito tem a desejar nosso jornalzinho, porém
confiamos em breve poder dota-lo do que mais se recente, atendendo não só a
nossa divisa o brocardo francês: Petit a petit, L'oiseau fait sonnid. (“Pouco a pouco, o pássaro constrói seu
ninho” tradução: googletranslate)
A repercussão sobre a criação do Lyrio(1919), foi matéria da segunda
edição que circulou em 02/11, e Halidéia Rios, provavelmente um pseudônimo
usado por Haydeia Pinheiro, destacou a impressão causada na sociedade de
Bebedouro com a edição do Lyrio: “foi um notável acontecimento no mundo “chic”
desta terra o surgir do “Lyrio”. Vê-se abaixo um artigo que foi publicado na 2ª
edição do “Lyrio”
“Não eram poucos os que se mostravam desejosos de o ler.
Logo aos primeiros albores do dia, quando a passarada entoara o seu
canto divinamente harmonioso e o velho bronze de nossa matriz convidavam os
fieis para o santo sacrifício da Missa, já havia quem bebesse com delícia por intermédio
dos órgãos visuais, as páginas amenas do nosso semanário. Os comentários
surgiram, felizmente uníssonos em aplausos.
Francamente achamos no “Lyrio” um bom começo. As grandes iniciativas
não começam grandes; tem a sua infância, a sua época embrionária. É portanto
justamente o que se nota no nosso jornalzinho, que muito ainda pode subir,
basta somente que não se faça esquecida a ação latente a vida, a seiva que lhes
poderão emprestar as nossas gentis companheiras de cruzada, os dignos rapazes
desta vila e enfim o povo de Bebedouro que deseja o levantamento moral e
intelectual desta terra.”
Não sabemos o período de duração do Lyrio, no arquivo público
estadual, devem se encontrar exemplares da 1ª e 2ª edição do mesmo. Talvez a
dificuldade em garantir recursos para sua impressão, problemas com a gráfica
responsável pela impressão que era sediada em Bonito, tenha desestimulado as
jovens senhoritas. Mas, a iniciativa e pioneirismo das mesmas, demonstraram o
seu amor às letras, bem despertou em muitos o desejo pelo engrandecimento de
Bebedouro (Agrestina), a estas a série Mulheres destaques, registra nossas
homenagens.
Amanhã 05.03 daremos continuidade a esta série especial, traremos
algumas novidades e estaremos homenageando as irmãs Pinheiro de Barros, pioneiras
que foram no comércio e na política em Bebedouro.
Por Paulo Junior / Professor e Historiador

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