“A
gratidão é um peso,
e
todo peso foi feito
para
ser posto de lado” (Diderot)
Dando
continuidade a série Mulheres Destaques, reconheceremos hoje, a contribuição
dada pela Professora Arcelina Câmara Silva, que por aqui chegou há exatamente
um século, para exercer a função de professora estadual, junto ao seu esposo o
jovem Professor José Constantino. O texto transcrito abaixo, foi registrado no
Diário de Pernambuco, e narra a chegada destes jovens e dinâmicos educadores. O
referido texto foi escrito na seção “O diário nos municípios” publicado no dia
12/08/1917, na página 05.
Bebedouro escreveu
em 03/08/1917 – O povo de Bebedouro, tendo à frente a sociedade musical
Eutherpina Bebedourense, fez uma manifestação aos novos educadores, sendo que
muitos cavalheiros os foram encontrar a 2 léguas distantes desta vila.
Logo que chegaram
os professores a residência do Cel. Manoel Alves, onde se hospedaram, usou da
palavra o Sr. Manoel Luiz de Carvalho que, representando a sociedade musical,
se congratulou com os bebedourenses, pelo melhoramento que acabavam de
conquistar com a criação de duas cadeiras estaduais ao mesmo tempo que
felicitou os recém-chegados. Agradeceu o professor J. Constantino.
Sobre
a criação das referidas cadeiras estaduais, foi enviado ao Dr. Manoel Borba,
governador do Estado, o seguinte telegrama:
“Habitantes de
Bebedouro agradecem v. excia. criações cadeiras estaduais, acto que muito honra
governo benemérito e proveitosa administração. Povo bebedourense veem hoje em
realidade a maior de suas aspirações pelo que apresenta v. excia. sua gratidão
sincera – Os bebedourenses”.
O
dinamismo do professor José Constantino e da professora Arcelina Câmara, já era
visível no inicio de setembro. Junto com a sociedade local e as escolas
municipais, eles programaram uma série de atividades, incluindo desfile cívico
para comemorar os festejos da independência do país.
Em
Bebedouro nasceu o filho primogênito do casal José Constantino e Arcelina
Câmara, isso em outubro de 1917, cerca de dois meses da chegada deles a
Bebedouro. O Diário de Pernambuco, na seção Diário Social, noticiou o nascimento
de Cybele ocorrido em Bebedouro no dia 06/10. A alegria do casal de professores
com o nascimento da primogênita, não chegou a completar a 150 dias, em março
Maria Sybele, após ter estado alguns dias doente, veio a falecer e dada a
simpatia que o casal demonstrava na sociedade, grande número de pessoas
compareceram ao velório da menina. Em setembro de 1918, os educadores
estaduais, mais uma vez se empenharam para que a data da independência do país
fosse comemorada de forma bastante festiva.
Em
outubro de 1920, nasceu o segundo filho do casal, desta vez, um menino que
recebeu o nome de José, fato que foi noticiado na crônica social do Jornal do
Recife, edição de 19 de outubro. Ao completar um ano do nascimento de José, no
dia 10/10/1921, nascia em Bebedouro outro filho do casal de professores, desta
vez, outro menino que recebeu o nome de Paulo.
Em
setembro de 1923, o diário social, registrou o nascimento de Lygia, filha do
casal de professores Constantino e Arcelina, ocorrido em Bebedouro no dia
16/09. A filha Lygia antes de completar um ano de nascida, em virtude da
remoção dos pais, foi residir em Ipojuca. A remoção foi publicada em
1°/07/1924, interessante notar que a remoção ocorreu por conveniência do
ensino, e não a pedido, entendendo-se que a referida transferência de
município, não ocorreu ao gosto do casal de professores. Mesmo não residindo
mais em Agrestina, José Constantino não esqueceu esta terra, chegando a
escrever um artigo para um jornal de circulação local. Com certeza, a passagem
por Agrestina, também ficou registrada na memória da Professora Arcelina
Câmara.
Aqui
estiveram dando sua parcela de contribuição para a formação dos bebedourenses,
os educadores José Constantino e Arcelina Câmara, durante 07 anos. O professor
Constantino, recebeu uma justa e sincera homenagem ao ser patrono do único
prédio escolar estadual existente no município, infelizmente, a gratidão pelos
serviços educacionais prestados pela professora Arcelina Câmara não aconteceu.
Por este motivo iniciei o texto com uma célebre frase do filósofo Diderot.
Infelizmente, não existe em Agrestina nenhuma
homenagem prestada a companheira do professor Constantino. Quem sabe, no ano em
que se completa o centenário da chegada deste casal de professores a nossa
Agrestina, a Professora Arcelina Câmara seja lembrada, assim como este artigo
hoje o faz, recordando que ao lado do Professor José Constantino, a Professora
Arcelina também contribuiu durante 07 anos para a formação de inúmeros
bebedourenses.
Vale
destacar que o casal de professores recebeu homenagem póstuma, com a
denominação de duas artérias públicas localizadas no bairro do Jordão na
capital do estado. Quiçá em Agrestina, o mais breve possível a Professora
Arcelina Câmara seja lembrada.
A
série Mulheres destaque dará continuidade amanhã 04.03, transcrevendo dois
textos do Jornal local, O Lyrio (1919), idealizado por senhoritas
bebedourenses, as quais aspiravam o levantamento moral e intelectual de
Bebedouro, hoje Agrestina. Vale a pena conferir!
Por Paulo Junior / Professor e Historiador
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