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| Foto: Getty Images |
A luta por melhorias na povoação de Bebedouro, principalmente no que se refere a criação de escolas de primeiras letras, teve inicio com uma solicitação datada do ano de 1835. Por não ter sido atendido o pleito, voltou a ser destaque no ano de 1857, quando membros do conselho de instrução pública, propôs a criação de 1 escola para o sexo masculino.Após trinta anos da primeira reivindicação, a proposta foi aceita, e no ano de 1864, a comissão de instrução pública autorizou a criação da primeira escola para o sexo masculino na povoação de Bebedouro. Vale registrar que o acesso à escola já era uma realidade no Bonito, Altinho e Caruaru.
Se
existiu a dificuldade para criação da escola de primeiras letras para o sexo
masculino, privação maior foi a sofrida pelas meninas, já a criação de uma
escola para o sexo feminino, foi pela primeira vez defendida em 1872, pelo
delegado literário do Altinho, cargo hoje equivalente ao de supervisor de
ensino. A proposta defendida foi alvo de apresentação de emenda na assembleia
estadual em agosto de 1877, de autoria do deputado J. Mello Rego.No ano
seguinte, foi apresentado o projeto de lei n° 78/1878, pedindo a criação da
escola, a matéria foi apresentada pelo deputado Epamidonhas de Barros Correia,
o futuro Barão de Contendas, importante chefe político do Altinho.
O
projeto de lei para criação da primeira escola para o sexto feminino, foi
transformado na Lei n° 1.362/1879, infelizmente o sonho de ser erigida a
primeira cadeira de ensino pública para meninas não foi concretizada, pois em
ato publicado em abril de 1880, o governo da província, informou que por falta
de recursos, não poderia ser instalada a escola para o sexo feminino na povoação
de Bebedouro.
Depois
de aguardar tanto tempo sem acesso a educação, em setembro de 1880, acredito
que, por pressão popular, e para atender a Lei n° 1362/79, o governo nomeou
para Bebedouro a Professora D. Rufina Demetria de Souza.
Através
da pesquisa, foi possível encontrar poucas informações sobre a primeira
professora de Bebedouro: através do edital n° 417/1880, Rufina recebeu o título
de aluno-mestre e foi nomeada para exercer o cargo de professor público, sendo
nomeada para no prazo de 60 dias tomar posse e assumir o exercício de
professora. Aqui em Bebedouro, a Professora Rufina, iniciou sua carreira, tendo
se dedicado durante muitos anos, sem dúvida exerceu forte influência na sociedade
local, haja vista que permaneceu regendo a cadeira de ensino primário do sexo
feminino, por mais de uma década. Neste intervalo de tempo, mudança na
legislação, fez surgir a escola de caráter misto, onde podiam se matricular
tanto meninos quanto meninas.
No
ano de 1892, a professora foi afastada da regência de aula, para tratar-se da
sua saúde. Através das minhas pesquisas, encontrei no ano de 1896, a última
anotação referente a servidora, pelo teor da matéria, provavelmente o estado a
afastou das funções de professora, deixando-a em disponibilidade. Não consegui
localizar sua naturalidade e tão pouco se constituiu família, quer seja em
Bebedouro, ou em outro lugar. Apesar das poucas informações obtidas não poderia
deixar de registrar este importante marco para a nossa história.
Para
dá inicio a série de homenagens a mulheres que se destacaram na sociedade de
Bebedouro, na qualidade de Professor, quis registrar para os leitores o marco
da criação da primeira escola para meninas em Bebedouro, e, assim homenagear a
primeira professora que por aqui passou, e sem dúvida muito contribuiu para a formação
intelectual das meninas de Bebedouro, e também de inúmeros jovens, ajudando-os
inclusive a despertar o gosto pelas letras e pela transmissão do conhecimento.
A
esta pioneira da educação em nossa terra, rendo minhas homenagens, e a partir
dela, quero homenagear as mulheres que na contemporaneidade tem se dedicado a
difícil missão de educar nossos jovens. Aguardem amanhã 03.03 a próxima
homenageada que por estas “bandas” chegou, junto com seu esposo, no ano de
1917.
Por Paulo Junior / Professor e Historiador

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