Graças, ao uso
das tecnologias através da digitalização de documentos, os registros escritos e
publicados em jornais de circulação no estado de Pernambuco, facilmente hoje,
podem ser objetos de pesquisa por pesquisadores da área de História, e até
mesmo serem utilizados como importante ferramenta metodológica nas aulas de
História da educação básica.
Como
pesquisador da história local, hoje compartilho com os leitores, o registro
publicado no Diário de Pernambuco, referente as comemorações dos festejos
carnavalescos realizados na vila de Bebedouro. Através de tão relevante
registro, nós, podemos conhecer como era comemorado o Carnaval em nossa
Agrestina, isso na época em que o território pertencia ao município do Altinho.
A movimentação e fluxo de pessoas na Vila de Bebedouro sempre foi grande, para
cá, desciam diversas pessoas de várias partes da região Agreste, movimento
assim a vida social na vila, isso em diversas festas do ano, a exemplo do São
João, Natal, Ano Novo. A animação durante o período do Carnaval, não era
diferente, foliões vindo de outros municípios vinham participar da folia
realizada em Bebedouro, conforme foi observado no Diário de Pernambuco do ano
de 1918.
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| Caricatura publicada no jornal A voz de Bebedouro (1935). Fonte: Arquivo Pessoal Prof. Paulo Jr |
O registro publicado
no Diário de Pernambuco, em sua íntegra, trata-se da comemoração do Carnaval em
Bebedouro. Vejamos:
“Foram
animadíssimos os festejos carnavalescos nesta villa.
Exibiram-se
dois cordões: o “Club 10 de fevereiro”, compostos dos melhores rapazes
bebedourenses e o das “ciganinhas” em que tomaram parte mais de 30 meninas
daqui. A orquestra do “10 de fevereiro” compunha-se de 15 músicos e a das
“ciganinhas” de instrumentos de cordas.
Ambos os
cordões se apresentaram com bonitos estandartes que eram conduzidos por sócios
ricamente vestidos. Além dos grupos citados exibiu-se um grupo de senhoritas,
com vestes da “cruz vermelha”.
O brinquedo
foi animado. Esgotaram-se as remessas de “lança-perfumes” e bisnagas, terminou
o entrudo carnavalesco com o uso de pó de arroz, notando-se muita afluência de
famílias, tanto de Caruaru, como de povoados vizinhos.
Nada deixou a
desejar o carnaval em nossa villa e sendo ainda mais digna de elogios em
virtude da ordem e respeito que foram irrepreensíveis.” (Diário de Pernambuco,
edição n° 52, página 04, 23/02/1918).
O segundo
registro do Carnaval em Bebedouro, o qual gostaria de partilhar com vocês, foi publicado
em um jornal local, “A voz de Bebedouro”, de propriedade do bebedourense e
secretário da prefeitura municipal, José Wamberto. O jornal que circulou no
período de 1934 e 1935, registrou, provavelmente, em seu último número, os
preparativos para o Carnaval do ano de 1935. Com o título “Carnavaladas”, o
jornal local descreve os preparativos do bloco denominado “o prato misterioso”,
nele o editor descreve o nome dos organizadores do bloco, inclusive publicando
caricaturas e apelidos, dos principais foliões da época.
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| Outro folião da época, caricatura do farmacêutico Juca Alves, publicado no jornal A voz de Bebedouro (1935). Fonte: Arquivo Pessoal Prof. Paulo Jr. |
Na matéria o
redator publicou o seguinte: “consta-nos, aliás, com fundamento, que foliões
inveterados movimentam-se para que o carnaval nesta cidade tenha o maior
brilho”. O jornal ainda destaca que a
folia de momo “vem afastar, por momentos, as preocupações em que essa danada da
vida nos afoga”. Portanto, a regra, de aproveitar o Carnaval como espaço
temporal para esquecer os problemas da vida cotidiana, já era uma lógica usada
a muitos carnavais.
Aos foliões
saudosistas dos carnavais de outrora, aos foliões que cantam “ó quarta feira
ingrata”, ou aqueles que não gostam dos festejos carnavalescos, desejo um ótimo
feriado, deixando registrado aqui as comemorações da folia de momo em
Bebedouro.
Por Paulo Junior / Professor e Historiador


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