“Liberdade, liberdade.
Abre as asas sobre nós”
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| Foto: Arquivo Público |
A estrofe do
hino da proclamação da República sintetiza bem a luta do povo bebedourense pela
conquista de sua autonomia política. Nosso território foi por demais
prejudicado, e esquecido pelas autoridades do governo provincial. Para termos
ideia do quão foi esquecida a povoação de Bebedouro, o povo esperou 35 anos
paraconquistar a primeira escola do lugar.
Mesmo diante
das adversidades, o povo se mobilizava para reivindicar melhoria para sua
gleba, conquistou-se a construção do açude para abastecimento da população, foi
conseguida verba para reforma da primitiva capela, lutou-se para criação da
escola para meninas, pela criação da freguesia. Enquanto as autoridades
deixavam Bebedouro no esquecimento, a população local via seu comercio
crescendo através da feira livre, açude para abastecer a população era
construído, aumento da capela, construção do cemitério, todas essas melhorias
sem dúvidas, seriam fundamentais para alçar a autonomia através da elevação da
povoação à condição de vila.
Um dos
defensores dos interesses dos bebedourenses foi o Deputado provincial Juvêncio
Mariz. Quando no ano de 1886, apresentou-se um projeto elevando o Altinho à
condição de município, Juvêncio se opôs a propositura, saindo em defesa da
autonomia de Bebedouro. Assim falou o Deputado:
“O distrito de Bebedouro está em melhores
condições. É uma localidade que prospera e que oferece um futuro mais ou menos
risonho, mas o Altinho está em completa decadência; é um lugar muito seco, onde
nem mesmo se pode desenvolver a indústria pastoril, devido isso às repetidas
secas” (Discurso proferido na Assembleia Provincial e publicado no Diário
de Pernambuco de 04/04/1886)
O Projeto foi
aprovado e os Altinenses, viram seu território se tornar autônomo de Caruaru,
ficando o território de Bebedouro pertencente a Altinho. No ano de 1891, foi
apresentado na Assembleia provincial o projeto de lei n° 61, o mesmo foi
colocado em 1ª discussão, a referida propositura elevava a categoria de
município a povoação de Bebedouro, o qual foi rejeitado. O presidente do poder
legislativo informou que não tinha recebido informações solicitadas às
intendências de Caruaru e do Bonito. Provavelmente tais informações seriam
necessárias para elaboração do parecer necessário a discussão da propositura.
Pela segunda vez, foi feita a defesa da emancipação de Bebedouro, na primeira
Mariz apenas o fez verbalmente, já desta vez, o projeto chegou a ser tramitado,
mas foi rejeitado na 1ª discussão.
O fato é que o
sonho da autonomia sofreu alguns retrocessos, o principal deles ocorreu, durante
o período em que o Padre Manoel Zacarias governou o Altinho, neste época,
Bebedouro deixou de ser sede de distrito, houve a mudança da feira, o
fechamento da agência postal, supressão de delegacia. Porém o sonho dos
bebedourenses nunca foi apagado, ou tão pouco esquecido.
Em 1906 de
forma festiva o povo recebeu o Bispo Dom Luís de Brito, talvez os moradores
locais tenham reivindicado a criação da freguesia, sonho pelo qual os
bebedourenses já aspiravam a muitas décadas, porém só foi autorizada a criação
da freguesia após a 2ª visita de D. Luis de Brito, isso em outubro de 1912.
Bebedouro passou a ser sede de freguesia, porém no campo
político-administrativo, continuava dependente, das decisões emanadas pelo
prefeito do Altinho. É certo que durante parte deste período, os bebedourenses,
viram filhos de sua terra, governarem o Altinho, a exemplo do Coronel Manoel
Alves, do Capitão Alberto Guilherme e de Abel Guilherme, no final da gestão
deste último, no dia 11 de setembro de 1928, chegou a notícia da criação do
município de Bebedouro.
Enquanto não
se conseguia a autonomia, algumas melhorias na infraestrutura da Vila foram
relevantes para o engrandecimento do lugarejo, por certo, todos cooperaram para
ver o lugarejo despontando como um centro urbano capaz de se tornar município.
Como fatores do progresso local, podemos destacar a inauguração da linha de
telegrafo, isso em 1917, a inauguração da rede elétrica para a vila (nos idos
de 1920), antes a iluminação pública, era feita por lampeões, no total de 17faziam
a iluminação da Vila de Bebedouro, isso no ano de 1907, comprovado através da
previsão orçamentário do Altinho, para aquele ano, como marco do
desenvolvimento local, não podemos cometer o lapso e deixar de citar a
inauguração do açougue público, possível graças ao empenho dos moradores
locais.
Em 1928, o
governador Estácio Coimbra, externou o desejo de criar novos municípios, e uma
comissão ficou encarregada de fazer uma analise das localidades com condições
de se tornarem independentes, sendo incluída a vila de Bebedouro. Desta vez o
sonho estava próximo de ser concretizado. Em 11 de setembro o governo aprovou a
Lei n° 1.931/28, elevando assim à condição de município diversas vilas do
estado, tendo sido Bebedouro contemplada. Tamanha foi a festa, que segundo
relato feito pelo saudoso Dr. Pedro de Alcântara, o ato do governador, causou
uma enorme alegria , assim que a notícia chegou de Altinho. Na época era
Prefeito do Altinho o Bebedourense Abel Guilherme, o mesmo foi o responsável
por trazer a boa nova, tão sonhada por seus conterrâneos. A liberdade ainda que
tardia chegou a Bebedouro. Salve o 11 de setembro de 1928.
Por Paulo Junior

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