domingo, 11 de setembro de 2016

Especial Agrestina 88 anos - Liberdade, ainda que tardia.


“Liberdade, liberdade.
Abre as asas sobre nós”

Foto: Arquivo Público
A estrofe do hino da proclamação da República sintetiza bem a luta do povo bebedourense pela conquista de sua autonomia política. Nosso território foi por demais prejudicado, e esquecido pelas autoridades do governo provincial. Para termos ideia do quão foi esquecida a povoação de Bebedouro, o povo esperou 35 anos paraconquistar a primeira escola do lugar.

Mesmo diante das adversidades, o povo se mobilizava para reivindicar melhoria para sua gleba, conquistou-se a construção do açude para abastecimento da população, foi conseguida verba para reforma da primitiva capela, lutou-se para criação da escola para meninas, pela criação da freguesia. Enquanto as autoridades deixavam Bebedouro no esquecimento, a população local via seu comercio crescendo através da feira livre, açude para abastecer a população era construído, aumento da capela, construção do cemitério, todas essas melhorias sem dúvidas, seriam fundamentais para alçar a autonomia através da elevação da povoação à condição de vila.

Um dos defensores dos interesses dos bebedourenses foi o Deputado provincial Juvêncio Mariz. Quando no ano de 1886, apresentou-se um projeto elevando o Altinho à condição de município, Juvêncio se opôs a propositura, saindo em defesa da autonomia de Bebedouro. Assim falou o Deputado:

“O distrito de Bebedouro está em melhores condições. É uma localidade que prospera e que oferece um futuro mais ou menos risonho, mas o Altinho está em completa decadência; é um lugar muito seco, onde nem mesmo se pode desenvolver a indústria pastoril, devido isso às repetidas secas” (Discurso proferido na Assembleia Provincial e publicado no Diário de Pernambuco de 04/04/1886)

O Projeto foi aprovado e os Altinenses, viram seu território se tornar autônomo de Caruaru, ficando o território de Bebedouro pertencente a Altinho. No ano de 1891, foi apresentado na Assembleia provincial o projeto de lei n° 61, o mesmo foi colocado em 1ª discussão, a referida propositura elevava a categoria de município a povoação de Bebedouro, o qual foi rejeitado. O presidente do poder legislativo informou que não tinha recebido informações solicitadas às intendências de Caruaru e do Bonito. Provavelmente tais informações seriam necessárias para elaboração do parecer necessário a discussão da propositura. Pela segunda vez, foi feita a defesa da emancipação de Bebedouro, na primeira Mariz apenas o fez verbalmente, já desta vez, o projeto chegou a ser tramitado, mas foi rejeitado na 1ª discussão.

O fato é que o sonho da autonomia sofreu alguns retrocessos, o principal deles ocorreu, durante o período em que o Padre Manoel Zacarias governou o Altinho, neste época, Bebedouro deixou de ser sede de distrito, houve a mudança da feira, o fechamento da agência postal, supressão de delegacia. Porém o sonho dos bebedourenses nunca foi apagado, ou tão pouco esquecido.

Em 1906 de forma festiva o povo recebeu o Bispo Dom Luís de Brito, talvez os moradores locais tenham reivindicado a criação da freguesia, sonho pelo qual os bebedourenses já aspiravam a muitas décadas, porém só foi autorizada a criação da freguesia após a 2ª visita de D. Luis de Brito, isso em outubro de 1912. Bebedouro passou a ser sede de freguesia, porém no campo político-administrativo, continuava dependente, das decisões emanadas pelo prefeito do Altinho. É certo que durante parte deste período, os bebedourenses, viram filhos de sua terra, governarem o Altinho, a exemplo do Coronel Manoel Alves, do Capitão Alberto Guilherme e de Abel Guilherme, no final da gestão deste último, no dia 11 de setembro de 1928, chegou a notícia da criação do município de Bebedouro.

Enquanto não se conseguia a autonomia, algumas melhorias na infraestrutura da Vila foram relevantes para o engrandecimento do lugarejo, por certo, todos cooperaram para ver o lugarejo despontando como um centro urbano capaz de se tornar município. Como fatores do progresso local, podemos destacar a inauguração da linha de telegrafo, isso em 1917, a inauguração da rede elétrica para a vila (nos idos de 1920), antes a iluminação pública, era feita por lampeões, no total de 17faziam a iluminação da Vila de Bebedouro, isso no ano de 1907, comprovado através da previsão orçamentário do Altinho, para aquele ano, como marco do desenvolvimento local, não podemos cometer o lapso e deixar de citar a inauguração do açougue público, possível graças ao empenho dos moradores locais.


Em 1928, o governador Estácio Coimbra, externou o desejo de criar novos municípios, e uma comissão ficou encarregada de fazer uma analise das localidades com condições de se tornarem independentes, sendo incluída a vila de Bebedouro. Desta vez o sonho estava próximo de ser concretizado. Em 11 de setembro o governo aprovou a Lei n° 1.931/28, elevando assim à condição de município diversas vilas do estado, tendo sido Bebedouro contemplada. Tamanha foi a festa, que segundo relato feito pelo saudoso Dr. Pedro de Alcântara, o ato do governador, causou uma enorme alegria , assim que a notícia chegou de Altinho. Na época era Prefeito do Altinho o Bebedourense Abel Guilherme, o mesmo foi o responsável por trazer a boa nova, tão sonhada por seus conterrâneos. A liberdade ainda que tardia chegou a Bebedouro. Salve o 11 de setembro de 1928.

Por Paulo Junior

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