segunda-feira, 2 de junho de 2014

Candidatos já buscam os serviços das mídias sociais

Marcelo afirma ter sido procurado por, pelo menos, quatro parlamentares
(Foto: Peu Ricardo/Folha de Pernambuco)

A quatro meses das eleições deste ano e os pré-candidatos tentam massificar seus nomes e angariar votos de todos os lados. E como a legislação eleitoral ainda não permite a campanha nas mídias tradicionais, é crescente cada vez mais o uso das redes sociais. No Brasil, segundo o Nielsen Ibope, há hoje 58,2 milhões de internautas com acesso à internet, sendo 45 milhões conectados às redes sociais. Cientes do potencial dessa mídia – que veio à tona mais especificamente após as manifestações do ano passado – os pré-candidatos têm buscado atrair essa legião de eleitores cada vez mais influenciados pelo mundo cibernético.

De acordo com o analista de sistema e web desenvolvedor, Marcelo Oliveira, está cada vez mais frequente a procura desses espaços por parte dos candidatos, principalmente, em período eleitoral e a tendência, na sua avaliação, é aumentar com o passar dos anos. Segundo ele, a demanda está tão grande que foi necessário criar “o Web Políticos” – um produto, criado pela empresa Recife Sites, voltado para os políticos na qual eles podem obter, em poucos dias, uma página oficial na internet integrada a todas as redes sociais.

Segundo Oliveira, quatro parlamentares já procuraram o serviço. Ele atribui a grande busca aos “benefícios que a internet pode oferecer”. “Ela (a internet) pode proporcionar a um candidato de pouca expressão que ele tenha a mesma visibilidade dos outros. Na internet eles têm mais espaço do que na televisão ou no rádio e o eleitor pode conhecer mais sobre o seu candidato”, avaliou.

Em Pernambuco, alguns casos de adesão para fins eleitorais também já podem ser vistos com os dois principais candidatos ao Governo, o senador Armando Monteiro Neto (PTB) e o ex-secretário estadual da Fazenda, Paulo Câmara (PSB). Ambos, já têm fanpages na web para interagir, debater e compartilhar propostas com os eleitores. “É importante estar conectado porque a rede está no processo de expansão e em algum momento será fundamental”, avaliou o deputado federal Pedro Eugênio (PT), adepto das novas tecnologias e que também pretende utilizá-la para sua campanha à reeleição.

Na corrida presidencial, a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB) também já aderiram a web 2.0. A petista intensificou o seu foco após as manifestações de 2013, iniciadas nas redes sociais. A mobilização, que levou milhares de pessoas às ruas e gerou um desgaste à classe política, revelou o poder que estas ferramentas vêm exercendo na sociedade. Em nível mundial, as redes já demonstraram, em outros momentos, a sua potencialidade, como por exemplo ao contribuir para a vitória de Barack Obama nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2008.

Todo cuidado é pouco com a rede

Com a campanha eleitoral marcada para se iniciar em 5 de julho, todo cuidado é pouco para não cair na “malha fina” da Justiça Eleitoral antes da data. Isso, porque o monitoramento das campanhas antecipadas já está na mira do Ministério Público Eleitoral (MPE) e do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). De acordo com o procurador eleitoral do MPE, João Bosco, alguns pré-candidatos já foram alvos de representações junto ao TRE por esse tipo de delito. Segundo ele, a propaganda antecipada é proibida em qualquer veículo midiático e poderá gerar multa que varia de R$ 5 mil a R$ 25 mil. Entretanto, nas redes sociais, o procurador ressalta que é um caso particular que merece muita atenção.

“O nosso entendimento é que se o candidato utiliza o Twitter ou o Facebook para propagar informações para um grupo de amigos não é campanha antecipada. No Twitter e no Facebook você só recebe mensagens se for seguidor ou amigo. Agora, tem Face que mesmo sem ser amigo do cara, você recebe. Nesses casos, para nós, é considerada propaganda ilegal e nós já mandamos tirar do ar”, explicou Bosco. O procurador reforçou ainda que a antecipação da campanha também prevê a inelegibilidade do candidato, embora seja muito remota. “A campanha por si só não leva à inelegibilidade. Mas se for verificado que houve abuso de poder econômico por parte do candidato, aí sim, ele poderá ficar inelegível”, informou.

No Estado, o procurador diz que o TRE ainda não foi provocado para julgar casos envolvendo campanha extemporânea nas redes sociais. No entanto, para assegurar que a lei está em cima, em Brasília, a Procuradoria Regional Eleitoral (PRE), responsável pela atuação processual perante o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), até o último dia 17 de maio, já havia aberto quatro representações para apurar o uso das redes sociais pelos pré-candidatos ao governo local, José Roberto Arruda (PR), deputado distrital Cristiano Araújo (PTB), deputada distrital Eliana Pedrosa (PPS) e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Edmilson Gama. Nesse episódio, todos os envolvidos foram obrigados, por liminar, a retirar do ar as respectivas páginas ou os anúncios pagos.

Por Anderson Bandeira / Folha de PE

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