Por Igor Maciel
- A blogueira cubana Yoany Sanches chegou ao Brasil ontem. Depois de fazer uma tentativa em 2009, só agora ela conseguiu autorização de Cuba para viajar.
O que se viu, além da expectativa normal por escutá-la falar foi o protesto de grupos de esquerda. Gritos, xingamentos e dólares nas mãos quando ela desembarcou, na madrugada de ontem, no aeroporto Guararapes, em Pernambuco.
De lá, ela seguiu para Feira de Santana, na Bahia, onde assistiria à pré-estreia de um filme que trata justamente da agressão à liberdade de expressão.
O evento, previsto para a noite de ontem, não aconteceu. Mais uma vez, uma tropa de choque formada por militantes do PCdoB e do PT a hostilizou. Ela teve de se retirar para uma sala reservada para não ser agredida.
Como dizia uma professora minha na 3ª série do primário: vamos selecionar os fatos para entender.
Yoany mora em Cuba, um país dominado há décadas por um regime ditatorial de esquerda. E não adianta dizer que não é bem isso. Um governo que limita o direito de ir e vir dos cidadão e os impede de falar, não é democrático e não é nenhum exemplo de liberdade.
Os manifestantes acusam a blogueira de receber dinheiro dos Estados Unidos. Como se receber dinheiro para defender causas e vender a própria ideologia, no Brasil, fosse um pecado tremendo. Algo inexistente nesse país. O episódio do mensalão fala por sí.
A esquerda brasileira passou anos lutando contra uma ditadura no país. Membros da esquerda foram treinados por Cuba e receberam dinheiro para enfrentar o governo local com palavras e com armas.
A esquerda brasileira lutava contra a ditadura que, vejam só, limitava a liberdade de expressão do povo. Naquela época podia reclamar, agora não pode mais?
Por outro lado, quem conhece Cuba de perto, hoje, sabe que apesar de ser um país muito pobre, devido aos bloqueios econômicos e à própria falência do sistema marxista de Fidel, sabe que a ilha também não é esse campo de concentração pregado por Yoany.
Mas ela tem o direito de expressar o que ela pensa sobre o próprio país. E deixou isso bem claro no momento em que desembarcou, ontem, no aeroporto dos Guararapes, em Recife. Ao invés de ficar chocada ou assustada com os gritos declarou apenas que "queria que houvesse isso em Cuba. Esse direito de reclamar, sem medo de ser preso."
Os acontecimentos com a visita dela só me lembram o bom e saudoso Millôr Fernandes:
"Democracia é quando eu mando em você. Ditadura é quando você manda em mim".

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