(10/08/2011)
Fundarpe prestigia torneio de dança de rua em Agrestina
Foto: Costa Neto
“Chega aí mais na roda. Vamo instigar!” O convite de Levi, ou do Bboy Chitos, como ele prefere ser chamado, soou muito mais do que uma simples chamada para o Torneio de Dança de Rua, realizado na tarde quente do sábado (07) na Praça Padre Cícero, Centro da cidade de Agrestina. Na verdade, a voz de Levi simbolizou o grito do movimento Hip Hop, que abraçou o Festival Pernambuco Nação Cultural no Agreste Central. Desta vez, o município, conhecido como a Cidade das Andorinhas e a Capital Brasileira do Chocalho, foi invadido por oficinas de formação cultural que desde o início da semana buscaram ampliar a percepção dos jovens locais para as possibilidades da arte.
Criada nos anos 70, a manifestação surgiu nos subúrbios de Nova Yorque onde se concentrava a maior parte da população negra e latina da cidade. Pobreza, violência, racismo, tráfico de drogas, educação defasada, saneamento precário, entre outros problemas de natureza social assolavam a população dessas regiões, que encontrava nas ruas o único espaço para o lazer fazendo mistura de sons diversos, vindos com imigrantes de países como o Caribe, uma das raízes do Hip hop. Alguns estudiosos afirmam que o termo foi utilizado pela primeira vez pelos músicos Keith “Cowboy” Wiggins e Grandmaster Flash, como uma provocação aos movimentos feitos pelos soldados estadunidenses. Em 12 de novembro de 1973, foi fundada no bairro do Bronx, Nova York, a primeira instituição voltada para a defesa do movimento.“O que ocorre principalmente é o fortalecimento da auto-imagem dessas crianças e adolescentes quando eles percebem que fazer algo mais está ao alcance deles. Aqui eles evoluem no trabalho corporal, na busca pela sincronia dos movimentos, mas nosso maior empenho é ampliar a visão de mundo, a bagagem cultural e o senso crítico desses cidadãos”. As palavras de Sérgio Ricardo, sociólogo e criador da Associação Metropolitana de Hip Hop de Pernambuco, trazem um pouco do sentido dessa expressão, que vem conquistando cada vez mais adeptos em todo estado. O educador já dançou break nos anos 90, mantendo o ritmo como uma bandeira de luta pela preservação da juventude de ameaças como as drogas. Ele esteve à frente da Roda de Diálogos promovida sábado (06) no Centro Cultural Amara Maria da Conceição. A ocasião abriu espaço para uma conversa franca e sensível sobre a importância do Hip Hop na Cidadania, Sociabilidade, Identidade, Auto-estima e Geração de Renda. “Mostrar a esses jovens exemplos de experiências positivas de hip-hop feitas em outros locais, que possam inspirá-los a persistir no movimento, foi o grande objetivo desta ação. A troca de vivências facilita o aprendizado e os estimula a ir atrás do que desejam”, completa.Para entrar no compasso pulsante do hip-hop, algumas lições são importantes, como a persistência e personalidade. As Bgirls Josefa Maria (15) e Eliane da Silva (16), ambas de Agrestina podem ensinar isso. Para elas, a razão da presença menor de meninas no movimento é simplesmente “frescura”. “Nenhuma menina de Agrestina, além de nós duas, tem coragem de chegar com firmeza e dizer que também podemos aí. Nós estamos aqui provando que hip hop não é coisa só de menino. Não tem nada a ver”, afirma Josefa.Na noite do sábado, foi hora de chamar a galera e abrir espaço para o Encontro de grupos de Rap e dança de rua, que contou com a presença de Bira e o Bando, direto de Caruaru, cidade considerada há mais de 20 anos pólo do movimento, além de Kbssa, do Recife e o grupo de Dança de Rua UBI Zala Bambaataa. O agito foi geral e, mais uma vez, a batida instigou gente de todas as idades, manos e minas, que chegaram na roda para fazer festa ou simplesmente pra curtir o som por aí.
Publicação: Adriano Monteiro Texto: Fausto Muniz Fonte: FUNDARPE
0 comentários:
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante para nós. Conte-nos algo sobre a matéria!